Rodolfo Braga Ladeira é médico pela Universidade Federal de Minas Gerais (2004). Fez residência em psiquiatria no Instituto Raul Soares (FHEMIG). Obteve o título de especialista em Psicogeriatria pela Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP). É especialista em Dependência Química pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) e mestre em Psiquiatria pela Universidade de São Paulo (USP). Foi preceptor voluntário dos programas de Residência Médica em Psiquiatria do Instituto Raul Soares (FHEMIG) e de Psicogeriatria do HC-UFMG.
Atualmente, supervisiona residentes de psiquiatria (R2) e de psicogeriatria (R4) no ambulatório didático de psicogeriatria do LIM-27, no Instituto de Psiquiatria Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP e cursa o Doutorado pelo programa de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da USP. Tem experiência na área de Medicina, com ênfase em Psiquiatria e Psicogeriatria, atuando principalmente nos seguintes temas: Transtornos psiquiátricos no Idoso, transtornos neurocognitivos (p.ex., doença de Alzheimer), transtorno bipolar, transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) e dependência química. Atende consultório em Belo Horizonte – MG, na região Hospitalar.
O Brasil está envelhecendo rápido. Segundo o Censo de 2022, tivemos um salto de mais de 57% no número de pessoas com 65 anos ou mais em pouco mais de uma década. Mas a grande pergunta que trago hoje aqui no blog é: estamos preparados para envelhecer com qualidade de vida e amparo adequado?
Na minha rotina de consultório, dedicando-me ao cuidado de pacientes que já passaram dos 50 anos, e também na preceptoria de médicos residentes lá na USP, percebo um desafio diário. Muitas famílias e até mesmo profissionais de saúde ainda confundem os sinais de fragilidade e demência com o famoso (e perigoso) mito do “é normal da idade”.
A fragilidade vai muito além da fraqueza física. Ela é multidimensional: envolve a cognição, o lado emocional, a mobilidade e o contexto sociofamiliar. E quando falamos de fragilidade cognitiva, as demências, como a Doença de Alzheimer, assumem o protagonismo. Entender a evolução clínica dessas condições e os novos biomarcadores disponíveis não é apenas um luxo acadêmico, mas uma necessidade urgente para o planejamento do cuidado.
É exatamente para aprofundar essa discussão que faço questão de divulgar e convidar a todos para o VI Simpósio de Saúde Mental da Pessoa Idosa. O evento é organizado pelo Programa de Extensão em Psiquiatria e Psicologia de Idosos da UFMG (PROEPSI), um grupo de excelência do qual já tive a honra de fazer parte.
O simpósio abordará o tema “Fragilidade, Demência e Políticas Públicas em Perspectiva Integrada à Produção do Conhecimento Científico”. A mensagem central é clara: a pesquisa de ponta, a prática de consultório e as políticas públicas do SUS não podem caminhar separadas. Elas precisam atuar em rede para garantir um cuidado longitudinal e integral ao idoso.
Se você é profissional da saúde, estudante, gestor público ou um familiar que busca entender melhor o processo de envelhecimento e adoecimento, este evento é para você. Grandes nomes nacionais e internacionais da psiquiatria, geriatria e pesquisa estarão reunidos para compartilhar evidências recentes e experiências bem-sucedidas.
A ciência e o cuidado devem caminhar juntos. Espero vocês lá!
A apatia é um sintoma comum na demência, sendo o mais prevalente na doença de Alzheimer. Ela se caracteriza pela perda de interesse e motivação nas atividades cotidianas, incluindo hobbies, relacionamentos sociais e até mesmo cuidados pessoais.
As pessoas com apatia na demência podem apresentar os seguintes sintomas:
Falta de interesse em atividades que antes eram prazerosas
Retração social
Falta de expressão emocional
Falta de iniciativa
Diminuição da participação em atividades da vida diária
Figura 1. Representação de um idoso com apatia. Observe a falta de expressão emocional, a falta de iniciativa e de engajamento em atividades. Fonte:Gerado com IA ∙ 29 de janeiro de 2024 às 8:12 PM
A apatia pode ter um impacto negativo na qualidade de vida do paciente e de seus cuidadores. Ela pode levar à depressão, isolamento social e perda de autonomia.
As causas da apatia na demência ainda não são totalmente conhecidas, mas acredita-se que sejam relacionadas a alterações nas áreas do cérebro responsáveis pela motivação e pela emoção.
A apatia na demência pode ser frequentemente confundida com depressão. Ambos os distúrbios envolvem perda de interesse e motivação, mas existem algumas diferenças importantes entre eles.
A principal diferença entre apatia e depressão é que a apatia não é acompanhada de sentimentos de tristeza, culpa ou desesperança. Além disso, a apatia é geralmente causada por danos a áreas do cérebro responsáveis pela motivação e pela emoção, enquanto a depressão pode ser causada por uma variedade de fatores.
Figura 2. A apatia na demência pode ser frequentemente confundida com depressão. Ambos os distúrbios envolvem perda de interesse e motivação. Fonte: Gerado com IA ∙ 29 de janeiro de 2024 às 8:12 PM
Não existe um tratamento específico para a apatia na demência, mas existem algumas estratégias que podem ajudar a melhorar os sintomas, como:
Manter o paciente ativo e estimulado: Atividades físicas, sociais e cognitivas podem ajudar a manter o interesse e a motivação do paciente.
Estabelecer rotinas e horários: Rotinas e horários regulares podem ajudar o paciente a se sentir mais organizado e menos perdido.
Envolver os cuidadores: Os cuidadores podem ajudar a motivar o paciente e a fornecer apoio emocional.
Figura 3. Gerado com IA ∙ 29 de janeiro de 2024 às 8:18 PM
Aqui estão algumas dicas para ajudar a motivar um paciente com apatia na demência:
Faça com que as atividades sejam simples e fáceis de entender.
Quebre as tarefas grandes em tarefas menores.
Dê ao paciente tempo para se preparar para as atividades.
Faça as atividades em um ambiente agradável e tranquilo.
Elogie o paciente por seus esforços.
É importante lembrar que cada paciente é diferente e o que funciona para uma pessoa pode não funcionar para outra. É importante ser paciente e perseverante.
Se você notar que um familiar ou amigo com demência está apresentando sintomas de apatia, é importante procurar ajuda médica. Um médico especialista poderá avaliar o paciente, ajudar a distinguir entre a apatia ou depressão e orientar sobre a abordagem mais adequada.
A relação entre a psiquiatria e o peso é complexa e envolve como os problemas de saúde mental podem afetar o peso de uma pessoa, assim como os efeitos do peso e da alimentação no bem-estar mental.
Diversos transtornos psiquiátricos podem afetar o peso corporal. Por exemplo, transtornos depressivos e de ansiedade frequentemente alteram o apetite, podendo levar à perda ou ao ganho de peso. Transtornos alimentares como anorexia nervosa e bulimia nervosa têm um impacto direto no peso e na relação do indivíduo com a comida.
O controle do peso é importante para a saúde geral, pois ajuda a prevenir doenças crônicas, como obesidade, diabetes, doenças cardíacas e alguns tipos de câncer.
O tratamento de transtornos psiquiátricos em pacientes com problemas de peso muitas vezes requer uma abordagem integrada. Isso pode incluir terapia nutricional, exercícios físicos e intervenções psicoterapêuticas, além do manejo farmacológico.
Para controlar o peso, é importante combinar uma alimentação saudável com a prática regular de atividade física.
Alimentação saudável
A alimentação saudável é fundamental para o controle do peso. É importante incluir na dieta alimentos ricos em nutrientes e com baixo teor de calorias.
Aqui estão algumas dicas para uma alimentação saudável:
Ingira frutas, verduras e legumes diariamente. Esses alimentos são ricos em vitaminas, minerais e fibras, que ajudam a saciar a fome e a manter o peso.
Escolha alimentos integrais em vez de refinados. Os alimentos integrais são ricos em fibras e nutrientes, e ajudam a controlar o açúcar no sangue e a promover a saciedade.
Reduza o consumo de alimentos processados e ultraprocessados. Esses alimentos são ricos em calorias, açúcar, gordura e sal, e podem contribuir para o ganho de peso.
Beba bastante água. A água ajuda a manter o corpo hidratado e a promover a saciedade.
Reduza a disponibilidade de alimentos engordativos. O hábito alimentar saudável começa no supermercado. Compre apenas alimentos saudáveis e pouco calóricos. Lembre-se de que se você comprar, você vai comer.
Atividade física
A prática regular de atividade física é outro fator importante para o controle do peso. A atividade física ajuda a queimar calorias e a manter a massa muscular.
A recomendação é que adultos pratiquem pelo menos 150 minutos de atividade física moderada ou 75 minutos de atividade física vigorosa por semana. Trinta minutos por cinco dias já é suficiente para atingir essa meta.
Aqui estão algumas dicas para praticar atividade física regularmente:
Escolha atividades que você goste e que se encaixem na sua rotina.
Comece aos poucos e aumente a intensidade e a duração da atividade gradualmente.
Procure um profissional de educação física para orientar a sua prática de atividade física.
Além da alimentação saudável e da prática regular de atividade física, existem outras dicas que podem ajudar a controlar o peso, como:
Durma bem. A falta de sono pode aumentar o apetite e dificultar o controle do peso.
Reduza o estresse. O estresse pode levar ao aumento do cortisol, um hormônio que estimula o apetite e o armazenamento de gordura.
Evite o consumo excessivo de bebidas alcoólicas. As bebidas alcoólicas são ricas em calorias e podem contribuir para o ganho de peso.
Se você está com dificuldade para controlar o peso, converse com o seu médico ou nutricionista. Eles poderão te ajudar a elaborar um plano personalizado para atingir seus objetivos.
Bibliografia:
Ministério da Saúde. Guia Alimentar para a População Brasileira. Brasília: Ministério da Saúde, 2014.
Ministério da Saúde. Guia de Atividade Física para a População Brasileira. Brasília: Ministério da Saúde, 2016.