
TRANSTORNO OBSESSIVO COMPULSIVO (Dr Rodolfo Ladeira)
O QUE É O TRANSTORNO OBSESSIVO COMPULSIVO?
O transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) é um distúrbio psiquiátrico da ansiedade caracterizado pela ocorrência de pensamentos obsessivos ou atos compulsivos recorrentes, suficientemente graves para consumir tempo ou causar sofrimento significativo. Duas ou três, em cada 100 pessoas, apresentam esse quadro, durante a vida. Homens e mulheres têm a mesma chance de apresentar esse transtorno, que começa, geralmente, na adolescência ou início da idade adulta, embora alguns casos possam ocorrer cedo na infância.
O QUE SÃO OBSESSÕES?
Os pensamentos obsessivos (ou obsessões) são pensamentos, sentimentos, ideias, sensações ou imagens que entram repetidamente na mente do indivíduo. Os pensamentos são, por vezes, absurdos, porém o indivíduo tem dificuldade em interrompê-los e se sente bastante angustiado. Ele pode sofrer, por exemplo, com medo de que possa ser incapaz de resistir a um pensamento ou impulso de fazer mal a si ou a alguém que ama. Pode sofrer por pensamentos obscenos, estranhos ou blasfêmias. São comuns as temáticas de agressão, contaminação, sexual, armazenagem e poupança, simetria, exatidão, alinhamento, preocupações com doenças ou com aspectos do corpo. Às vezes, as ideias são meramente fúteis, envolvendo um questionamento infindável de alternativas imponderáveis (ou uma ruminação do pensamento) que está frequentemente associado a uma dificuldade em tomar decisões na vida diária.
O QUE SÃO COMPULSÕES?
Os atos compulsivos recorrentes (ou compulsões) são comportamentos conscientes e repetitivos, popularmente denominados de “manias” que a pessoa não consegue evitar como contar, limpar, lavar, verificar, controlar, repetir, organizar, acumular ou colecionar. Podem ser, por vezes, confundidos com “superstições”. Os atos compulsivos podem ocupar várias horas todos os dias e às vezes estão associados à indecisão e à lentidão marcantes.
Muitas vezes, o indivíduo tenta utilizar a compulsão para se ver livre do pensamento obsessivo, nem sempre consegue ter sucesso nisso. Ele reconhece as obsessões e as compulsões como comportamentos indesejáveis, e tenta, sem sucesso, resistir-lhes.
QUAL A CAUSA DO TRANSTORNO OBSESSIVO COMPULSIVO?
Acredita-se que fatores biológicos e psicológicos sejam importantes para o estabelecimento desse transtorno. Os fatores genéticos são os mais bem estabelecidos, observando-se uma maior prevalência do TOC em pessoas que tenham pais ou irmãos com esse transtorno. Outro fator biológico que merece destaque é a hipótese da desregulação dos neurotransmissores, como a serotonina possa estar implicada na causa do TOC.
Na teoria psicanalítica clássica, a neurose obsessivo-compulsiva (como era denominado o TOC) era considerada uma regressão da fase edípica para a fase psicossexual anal do desenvolvimento, diante de um sentimento de ameaça. Vale a pena citar duas características dessa fase que são experimentadas intensamente pelos pacientes com TOC: a ambivalência (o paciente experimenta tanto amor quanto ódio contra um objeto) e o pensamento mágico (a pessoa acredita que um simples ato de pensar em um acontecimento no mundo externo pode levar à sua realização, e tal sentimento o leva ao medo de ter um pensamento agressivo).
COMO A PESSOA PODE SABER SE TEM O TRANSTORNO OBSESSIVO COMPULSIVO?
O diagnóstico do TOC é feito através de entrevista clínica com um médico psiquiatra.
No exame, será investigada a presença de sintomas obsessivos, atos compulsivos ou ambos, durante mais de duas semanas, causando forte ansiedade ou interferência nas atividades.
Além do TOC, o indivíduo com sintomas obsessivos pode apresentar outros transtornos mentais, como o transtorno depressivo. Assim, a avaliação profissional é importante para investigar a presença de outros transtornos e para o tratamento adequado.
COMO É O TRATAMENTO DO TRANSTORNO OBSESSIVO COMPULSIVO?
O tratamento do TOC pode ser feito por meio do uso de medicações antidepressivas, prescritas por um médico psiquiatra. Geralmente, são indicados os inibidores da receptação da serotonina, que podem ser associadas a medicações ansiolíticas ou antipsicóticas. A psicoterapia (preferencialmente de orientação comportamental) também é importante no tratamento deste quadro. É importante receber as orientações adequadas: procure um médico (preferencialmente um psiquiatra) ou um psicólogo com experiência na abordagem do transtorno obsessivo compulsivo.
Fontes:
Sadock, BJ, Sadock VA. Compêndio de psiquiatria: ciências do comportamento e psiquiatria clínica. 9.ed. Porto Alegre: Artmed, 2007. 1584p.
Organização Mundial da Saúde. Classificação de Transtornos Mentais e de Comportamento da CID-10: Descrições Clínicas e Diretrizes Diagnósticas. Porto Alegre: Artmed, 1993.
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