Fundamentações
1. Algo que todos têm em comum são os sentimentos. Todos nós já experimentamos tristeza, raiva, alegria, frustração, realização, medo, etc. Experimentamos sentimentos diferentes em situações diferentes, e cada um à sua maneira. Alguns mais, outros menos. Mas, todos já experimentamos uma grande variedade de sentimentos.
2. Há duas habilidades relacionadas à expressão de sentimentos: a de compartilhar sentimentos, opiniões e atitudes com outras pessoas; e a de ouvir outras pessoas, de forma a deixá-Ias saber que são importantes e compreendemos o que compartilham conosco.
3. Apesar de muitas pessoas terem dificuldades em compartilhar ou ouvir ativamente, estas são habilidades de comunicação que podem ser melhoradas com a prática.
4. Há muitos benefícios em compartilhar emoções com outras pessoas:
• As pessoas que não o fazem acabam sendo erroneamente rotuladas de frias ou arrogantes. E isso pode levar a um círculo vicioso, no qual as pessoas a evitam e ela acabam tendo ainda menos oportunidades de conversar sobre seus sentimentos.
• Intensifica o relacionamento com familiares e outras pessoas que desejamos conhecer melhor. E a melhor maneira de construir afeto e confiança entre as pessoas.
• A melhor forma de conhecer mais sobre alguém compartilhando sentimentos sobre alguma coisa (“Como se sente sobre crescer numa cidade pequena? O que achou daquele filme? O que achou da sua viagem? E como está no trabalho?). Compartilhar sentimentos com outrem ajuda-Io-á a se sentir mais próximo a você, possibilitando a ambos a descoberta de coisas em comum.
Quanto mais você souber sobre o outro, maior será o sentimento de amizade. E isso é verdadeiro tanto para desconhecidos quanto para os próprios familiares: apesar de muitas pessoas estarem juntas todos os dias, os sentimentos podem ficar fora das conversas. Quanto menos se fala sobre sentimentos, mais distante uns dos outros nos sentimos.
• Falar sobre si mesmo contém a mensagem: “É bom falar sobre sentimentos”.
Permite ao outro saber que pode compartilhar algo importante com você.
• Freqüentemente, outras pessoas ficam aliviadas ao descobrir que não estão sozinhas ao sentirem algo. Logo, compartilhar informações sobre seus sentimentos pode ser uma importante forma de dar apoio a alguém (ou a si mesmo).
5. Ouvir atentamente quando alguém compartilha algo conosco é importante, se quisermos conhecer ou nos aproximar dessa pessoa. O uso dessa habilidade tem várias conseqüências positivas: permite que o outro saiba que estamos interessados e queremos entendê-lo; encoraja-o a falar mais sobre si mesmo; e nos permite saber mais a seu respeito.
Na seção a seguir, você vai ver um resumo dos principais pontos que discutimos até aqui, bem como dicas para poder colocar em prática o que foi abordado.
Técnicas de Manejo
1. Habilidade de falar sobre sentimentos:
a. É bom falar sobre sentimentos. Todos nós os temos. Todos nós temos bons e maus sentimentos.
b. É importante compartilhar tanto os bons quanto os maus sentimentos. Alguns se sentem mais confortáveis falando sobre os positivos e outros sobre os negativos. Mas as pessoas nos conhecerão melhor, se falarmos sobre todas as variedades.
c. Raiva, tristeza e medo estão sempre presentes nos mais variados contextos, inclusive o familiar. E é importante saber comunicá-los diretamente, evitando a comunicação indireta, mais prejudicial. Também é importante deixarmos claro os comportamentos que nos despertam sentimentos negativos: por exemplo:
• “Sinto-me … ” “Quando voce … ”
• “Sinto-me ansiosa, quando voce demora a chegar.”
• “Sinto raiva, quando voce nao cumpre o que prometeu.”
• “Fico triste, quando voce nao me ouve.”
• “Tenho medo que voce se prejudique pela falta de controle com a bebida.”
• “Fico feliz, quando voce chega em casa cedo.”
• “Sinto-me orgulhosa pelos seus resultados na escola.”
2. Habilidade de ouvir:
a. Ouvir é mais do que simplesmente sentar-se em silencio ou passivamente, enquanto o outro fala. Ouvir é uma habilidade ativa porque envolve uma tentativa de compreender o que o outro está comunicando, e não apenas esperar sua vez de falar.
b. Seu comportamento não-verbal pode dar um apoio para que o outro continue falando. Manter o olhar, acenar com a cabeça, dar um toque simpático ou murmurar são expressões que indicam que você está interessado e está ouvindo. Olhar para o relógio, bocejar ou olhar para outras coisas distraem quem fala e revelam que você não está realmente interessado no que está sendo dito. O comportamento não-verbal é a primeira coisa que as pessoas notam, quando estão monitorando a forma como estão sendo recebidas.
c. Reconhecer o comportamento não-verbal de quem fala é outra característica importante dos bons ouvintes. Estes estão afinados com os sentimentos do outro; ouvem a mensagem que está por trás das palavras. O tom de voz e a expressão facial fornecem várias informações, além daquelas que estão sendo expressas em palavras. Por exemplo, se alguém está falando sobre um casamento, provavelmente descreverá o vestido, a recepção, a comida, a decoração, etc. Mas, com um comportamento não verbal, esta pessoa pode transmitir um sentimento de tristeza. O bom ouvinte perguntará sobre recordações que o casamento pode ter despertado, sobre seus sentimentos, ou sobre a tristeza diretamente, ajudando-a a falar sobre o que a experiência significou para ela.
d. São formas verbais de dizer: “Estou ouvindo, estou ligado”, fazer perguntas, parafrasear o que foi dito ou acrescentar comentários (“Puxa, que legal!”).
e. Um bom ouvinte não faz julgamentos, quando estes não são solicitados; não confronta diretamente. Uma crítica inibe o interlocutor.
f. Um bom ouvinte compartilha sentimentos semelhantes. Faz parte do dar e receber da conversa. Mas é conveniente esperar que o outro tenha terminado. Interrompê-lo prejudica a comunicação.
3. Importante:
a. Essas habilidades demandam tempo para serem utilizadas com maestria.
b. Você não mudará de um momento para o outro, mas aos poucos. E o outro pode demorar a perceber que você mudou.
c. Conte com o insucesso inicialmente. Persista – é como aprender a andar.
Não saímos andando simplesmente, começamos nos agarrando em móveis, que nos suportam apenas alguns segundos… Caímos muitas vezes, antes de aprender… Erramos muito antes de acertar…
Fonte:
Adaptado de: Treinamento de Habilidades Sociais e de Enfrentamento de Situações de Risco in: Figlie NB, Bordin S, Laranjeira R. Aconselhamento em Dependencia Quimica. 2004.
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