Adolescentes que usam maconha apresentarão maior risco de depressão e de suicídio, quando adultos.

Estudo canadense, publicado na última semana pela revista “JAMA Psychiatry, afirma que o uso de maconha por adolescentes e pré-adolescentes está associado a um aumento significativo do risco de desenvolver depressão ou tendências suicidas na idade adulta.

(Domingo, 17 de fevereiro de 2019, por Rodolfo Ladeira)

A maconha (Cannabis) é a droga de abuso mais utilizada pelos adolescentes no mundo. A relação entre o uso dessa droga por adolescentes e o aumento do risco para o desenvolvimento de transtornos mentais graves, como a esquizofrenia, já é alvo de pesquisa e de discussão, há anos (clique aqui para mais informações). Pouco se sabia, até então, sobre o impacto do consumo de cannabis por adolescentes no humor e na probabilidade de suicídio na idade adulta.

O estudo de revisão sistemática/metanálise – conduzido pela pesquisadora Dra. Gabriela Gobbi, do departamento de Psiquiatria da universidade McGill, no Canadá – analisou os dados de 11 estudos longitudinais e prospectivos, que avaliaram o uso de cannabis por um total de 23.317 adolescentes menores de 18 anos (pelo menos 1 ponto de avaliação) e o desenvolvimento de depressão na idade adulta jovem (18 a 32 anos), bem como ansiedade ou suicídio. O risco de desenvolver depressão na idade adulta, por esses usuários, foi 37% maior que o risco apresentado por aqueles que não fizeram uso de maconha na adolescência. As chances de apresentar ideias suicidas também foi maior: 50% maior no grupo de indivíduos que fez uso da droga na adolescência, e estes apresentaram 3 vezes mais chance de tentar suicídio, comparados aos não usuários.

Com base no estudo, pré-adolescentes e adolescentes devem evitar o uso de cannabis, pois seu uso está associado a um aumento significativo do risco de desenvolver depressão ou tendências suicidas na idade adulta jovem – além do risco aumentado para psicose ou esquizofrenia, já demonstrado por outros estudos. Deve-se empenhar em alertar os adolescentes – usuários ou não – sobre os riscos de que o uso dessa droga na adolescência pode trazer consequências significativas para a idade adulta. Essas informações devem ser levadas em conta pelos órgãos de política de saúde pública e pelos governos, a fim de que possam aplicar estratégias preventivas para reduzir o uso de cannabis entre os jovens.

Referência: Gobbi G, Atkin T, Zytynski T, et al. Association of Cannabis Use in Adolescence and Risk of Depression, Anxiety, and Suicidality in Young Adulthood: A Systematic Review and Meta-analysis. JAMA Psychiatry. 2019 Feb 13. doi: 10.1001/jamapsychiatry.2018.4500.

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Foto por Ivandrei Pretorius em Pexels.com

Cinco informações que você precisa saber sobre a Eletroconvulsoterapia

1. “Eletroconvulsoterapia” é diferente de “eletrochoque”.

Em meio à polêmica sobre a nota técnica do Ministério da Saúde e ao barulho que a nota sobre a Saúde Mental causou nas mídias sociais, o importante é procurar informações corretas e permitir quebrar o preconceito a respeito da eletroconvulsoterapia (ECT, antigamente conhecida como eletrochoque). Muitas pessoas ficam surpresas quando descobrem que ainda se faz ECT na atualidade, pois acreditam que se trata de uma forma ultrapassada de prática médica ou associam a ECT com cadeira elétrica, tortura e punição. Na verdade, a ECT é hoje um procedimento humano e tecnicamente bem pesquisado, altamente eficaz e seguro para o tratamento de transtornos mentais. Quando bem indicado, pode salvar a vida de uma pessoa (alguém com idéias de suicídio ou que não esteja se alimentando, por exemplo) ou reduzir o número e o tempo de internações psiquiátricas.

2. As barreiras políticas à eletroconvulsoterapia prejudicam principalmente a parcela mais carente da população

Infelizmente, esse procedimento é muito caro e seu acesso é restrito, o que dificulta seu acesso pela população carente. Quem tem dinheiro, consegue fazer esse procedimento, sem maiores dificuldades, em clinicas particulares, onde a ECT chega a receber nome de “sonoterapia”, para quebrar o estigma. Já, quem trata pelo SUS, enfrenta uma dificuldade enorme de acesso à ECT, dadas às barreiras que foram impostas (e que foram importantes em seu devido tempo, quando esse procedimento chegou a ser usado de modo indevido). Quem trabalha com psiquiatria no sistema público sabe o quanto é difícil conseguir o acesso ao ECT para pacientes com indicação clara para a realização desse procedimento. Pacientes com planos de saúde também enfrentam enormes dificuldades para realizar o procedimento. É, no mínimo injusto que apenas quem tenha dinheiro para arcar consiga acesso ao procedimento que pode salvar vidas e acelerar a recuperação de pacientes graves (inclusive, reduzindo o número e o tempo de internações). Ou proíbe-se para todos, ou leva-se o acesso para todos, pois a saúde é um direito de todos e dever do Estado. Nosso papel, como sociedade, pacientes e profissionais de saúde mental é garantir a correta aplicação desse método, para permitir os benefícios e impedir abusos ou o uso inadequado desse método.

3. O paciente tem o poder de decidir se vai ou não fazer a eletroconvulsoterapia.

Atualmente, o paciente tem que ser devidamente informado sobre os benefícios ou quaisquer riscos do procedimento e autorizar por escrito antes de iniciar as sessões da ECT. Os aparelhos utilizados para a ECT são muito desenvolvidos, permitindo que se dê uma carga de energia adequada para cada paciente. O procedimento é feito sob sedação e com bloqueio muscular (que impede os abalos musculares e aquelas cenas que nos impressionavam, nos filmes de antigamente). A sensação que os pacientes costumam descrever é de que dormem e acordam algo melhor. 

4. A eletroconvulsoterapia é mais segura que diversos medicamentos.

Apesar de ser um tratamento muito seguro, a ECT tem dois principais efeitos colaterais: Dor de cabeça (que costuma melhorar com analgésicos comuns do tipo dipirona ou aspirina); e alterações na memória (que, quando ocorre, é leve, na maioria das vezes, e geralmente é recuperada completamente no prazo máximo de 6 meses). Uma variação da técnica também pode ser útil para minimizar ainda mais os efeitos do tratamento para a memória do paciente: Pode-se realizar a aplicação unilateral direita (na qual os eletrodos são posicionados um na têmpora e o outro na região superior da cabeça) ou bifrontal, ao invés da aplicação bilateral. Assim, preserva-se o hipocampo esquerdo (principal região do cérebro envolvida com a formação de novas memórias).

5. A eletroconvulsoterapia pode salvar vidas.

A sua indicação, atualmente, é bastante criteriosa, principalmente pelo custo envolvido, limitando-se, principalmente à depressão, especialmente se for grave, ou resistente ao tratamento com remédios, ou nos casos em que haja um risco elevado de suicídio. A eficácia para este transtorno é muito alta (em torno de 90%), maior que a eficácia de medicações (em torno de 70%). Outras indicações para esse procedimento são pacientes idosos e sensíveis aos efeitos colaterais das medicações antidepressivas, catatonia (uma síndrome comum na esquizofrenia na qual a pessoa fica completamente parada, sem falar e sem se alimentar), transtornos mentais durante a gestação (depressões, psicoses) – a ECT é bastante segura na gravidez, tanto para a mãe quanto para o bebê, minimizando chance de mal formações, que o uso se medicamentos poderia trazer, especialmente no primeiro trimestre da gravidez. Pacientes com esquizofrenia ou transtorno bipolar em fase de mania também podem se beneficiar da ECT, especialmente quando o quadro é grave e/ou as medicações não trouxeram resultado satisfatório.

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Foto por rawpixel.com em Pexels.com

 

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