O Cérebro não Esquece: 5 Descobertas Surpreendentes para Proteger sua Memória hoje

O Cérebro não Esquece: 5 Descobertas Surpreendentes para Proteger sua Memória hoje

O Novo Horizonte da Saúde Mental

Para muitos de nós, o passar dos anos traz consigo um medo silencioso: o de perder a essência de quem somos através do declínio cognitivo. Por décadas, a medicina encarou a demência como um destino biológico selado pela genética. No entanto, estamos vivendo uma mudança de paradigma sem precedentes na neurociência aplicada. A “boa notícia” que emerge dos relatórios globais mais recentes, como o da Comissão Lancet de 2024, é transformadora: a demência não é um destino inevitável. Segundo as evidências mais robustas da atualidade, quase metade (45%) dos casos de demência no mundo pode ser prevenida ou atrasada por meio de escolhas que estão, literalmente, em nossas mãos.

1. A Regra dos 45%: Sua Vida está em suas Mãos

O conceito central aqui é o dos “fatores de risco modificáveis”. A ciência agora prova que o estigma de que “a genética é tudo” caiu por terra. Em sua atualização mais recente, a Comissão Lancet expandiu para 14 o número de fatores que influenciam diretamente nossa resiliência cerebral, incluindo dois novos vilões identificados em 2024: o Colesterol LDL elevado e a Perda de Visão não tratada.

Aqui estão os 14 alvos estratégicos para proteger seu cérebro:

  • Fatores Cardiovasculares e Metabólicos: Hipertensão, diabetes, obesidade (na meia-idade), colesterol LDL elevado e sedentarismo.
  • Fatores de Estilo de Vida e Ambientais: Baixa escolaridade, tabagismo, consumo excessivo de álcool, isolamento social, poluição do ar e traumatismo craniano (TBI).
  • Fatores Sensoriais e Mentais: Perda auditiva, perda de visão, depressão e distúrbios do sono.

“Seja ambicioso em relação à prevenção. Ações para diminuir o risco de demência devem começar cedo e continuar ao longo de toda a vida.” — Relatório da Comissão Lancet.

2. O Coração e o Cérebro: Vizinhos Inseparáveis

A máxima do Global Council on Brain Health (GCBH) é clara: “O que é bom para o coração é bom para o cérebro”. Como especialista, preciso enfatizar que o controle da hipertensão (com alvo de 130 mmHg ou menos a partir dos 40 anos) não serve apenas para o fluxo sanguíneo; é a defesa primária contra danos microvasculares cerebrais e lesões na substância branca, que são precursores silenciosos do declínio cognitivo.

Para proteger essas “estradas” cerebrais, identifique os Vilões do Prato:

  • Gorduras trans: Presentes em frituras e ultraprocessados.
  • Sódio Oculto: O maior perigo não é o saleiro, mas os pães e produtos de panificação, que são fontes primárias de sódio na dieta ocidental.
  • Açúcares refinados: Alimentos que inflamam o sistema vascular.

Dica de Especialista: Para reduzir o sal sem perder o prazer de comer, utilize vinagre, limão ou ervas aromáticas para realçar o sabor. Essa pequena troca reduz a carga sobre suas artérias cerebrais imediatamente.

3. A Dieta MIND: O “Blueprint” da Nutrição Cerebral

A Dieta MIND é uma fusão estratégica entre a Mediterrânea e a DASH, desenhada especificamente para nutrir neurônios. O dado mais impactante é que a alta adesão a este padrão alimentar foi associada a uma redução de 17% no risco de demência.

O seu plano de nutrição cerebral (A-List) deve incluir:

  • Verdes folhosos: 6 ou mais porções por semana.
  • Berries: Priorize mirtilos e morangos (pelo menos 2 porções por semana), as únicas frutas destacadas pelo MIND por seu poder antioxidante.
  • Feijões e Leguminosas: 4 ou mais refeições por semana.
  • Aves (frango/peru): 2 ou mais refeições por semana (sem fritar).
  • Peixes: Pelo menos uma vez por semana (não frito).
  • Grãos Integrais: 3 ou mais porções diárias.
  • Castanhas e Nozes: pequenos lanches de castanha, na maioria dos dias.

Embora os flavonoides do cacau e polifenóis sejam aliados poderosos contra o estresse oxidativo, o GCBH alerta: atenção à moderação calórica. O benefício do nutriente não deve ser anulado pelo ganho de peso.

4. Sentidos em Alerta: O Papel Oculto da Audição e Visão

Talvez a descoberta mais contraintuitiva da neurociência recente seja o impacto dos nossos sentidos. A perda de audição e visão não tratadas aceleram a demência por um mecanismo chamado “Carga Cognitiva” (Cognitive Load). Quando o cérebro precisa gastar uma energia imensa apenas para decifrar um som abafado ou uma imagem turva, sobram menos recursos para a memória e o raciocínio.

O uso de aparelhos auditivos em pessoas com perda de audição pode reduzir o declínio cognitivo em 19%. Cuidar dos sentidos preserva a reserva cognitiva e evita o isolamento social, mantendo o cérebro devidamente estimulado e conectado ao mundo.

5. O Mito do “Tarde Demais” e o Escudo Genético

Um dos maiores mitos que combatemos em consultório é que, após os 50 ou 60 anos, as mudanças não fazem diferença. A ciência de 2024 traz um veredito revolucionário: as mudanças de estilo de vida funcionam independentemente do seu risco genético.

Mesmo que você tenha um histórico familiar, seus hábitos diários atuam como um “escudo” capaz de compensar a predisposição biológica. O cérebro mantém sua plasticidade e capacidade de se beneficiar de novos estímulos, da atividade física e de uma dieta protetora em qualquer idade, mesmo após um diagnóstico de comprometimento leve.

Um Convite à Ação

A prevenção da demência é um projeto de vida focado na “Compressão da Morbidade”: o objetivo não é apenas viver mais, mas garantir que vivamos com clareza mental, comprimindo qualquer período de doença para um curto espaço de tempo no final da vida.

Cada pequena troca — como substituir o pão com manteiga por uma porção de nozes ou temperar sua refeição com ervas em vez de sal — é um depósito em sua conta de saúde mental. A clareza de amanhã é construída com as escolhas de hoje.

Se você soubesse que uma pequena mudança hoje poderia garantir suas memórias de amanhã, por qual hábito você começaria agora?

Infográfico intitulado "Prevenção da Demência: O que você pode fazer hoje?". No centro superior, um escudo destaca o número 45%, informando que 45% dos casos podem ser prevenidos com o controle de 14 fatores de risco. À esquerda, a seção "Os Pilares da Prevenção" mostra o desenho de um coração e um cérebro conectados, recomendando controle da pressão e colesterol, além de ícones de aparelho auditivo e óculos, recomendando o cuidado com os sentidos. À direita, a seção "Alimentando a Mente (Dieta MIND)" exibe um prato dividido com vegetais verdes, frutas vermelhas, nozes, peixes e azeite. Abaixo, a frequência recomendada: folhas verdes (pelo menos 6x na semana), outros vegetais (1x ao dia), castanhas e nozes (5 ou mais porções) e peixes (pelo menos 1x na semana).
Infográfico ilustrando os pilares da prevenção da demência: com ajustes na saúde cardiovascular, correção de déficits sensoriais (audição e visão) e adesão à Dieta MIND, é possível prevenir ou retardar até 45% dos casos.

Oito Dicas Para Parar de Fumar!

(Por Rodolfo Ladeira)

1. Marque Uma Data

Marque uma data, de preferência, dentro de duas semanas.

2. Exclua o Cigarro

Antes mesmo da data que você escolher para parar de fumar, você já pode iniciara algumas mudanças na rotina que poderão ajudar a aumentar seu sucesso. Vale a pena retirar os cigarros de casa, do carro e do local de trabalho. Passe a comprar quantidades menores de cigarro ou passe a comprar apenas cigarros picados a cada momento que decidir fumar.

3. Mude sua rotina

Até chegar a data que escolheu para parar de fumar, evite fumar em casa, no carro ou no local de trabalho. Evite fumar naqueles locais em que você tem o costume. Por exemplo: se tiver o costume de fumar em frente ao computador, passe a fumar na varanda; caso costume fumar no quarto, vá para fora de casa quando decidir fumar; caso costume fumar no carro, deixe para fumar fora do carro, após estacioná-lo. Ou seja: quebre a rotina dos lugares em que fuma.

4. Reveja as tentativas anteriores

Rever as tentativas anteriores de parar de fumar também é bastante útil. Quanto tempo você conseguiu? O que ajudou a parar? O que contribuiu para sua recaída? Tente valer-se das estratégias que funcionaram anteriormente.

5. Antecipe suas dificuldades e prepare-se para elas.

Pense em estratégias para lidar com as dificuldades que enfrentou em tentativas anteriores, bem como para evitar situações semelhantes às que levaram à sua recaída.

6. Evite situações propícias a recaída ou busque estratégias para lidar com elas

Recaídas do tabagismo ocorrem principalmente nas seguintes situações:

– emoções negativas, como ansiedade, tristeza, irritação e tédio;

– pressaão para trabalhar rápido;

– presença de outros fumantes;

– uso de álcool;

Lembre-se de que mesmo uma tragada eventual, o uso de álcool ou a presença de outros fumantes em casa ou em outros ambientes que você frequenta facilitam a recaída: Se possível, interrompa também o uso de álcool e estimule as outras pessoas a parar de fumar.

7. Persista

A maioria das pessoas que voltam a fumar em uma tentativa fazem isso por volta do terceiro ou quarto dia sem fumar. Isso ocorre porque os sintomas da abstinência da nicotina são mais intensos por volta do terceiro ou quarto dia (esse auge pode parecer insuportável, mas você pode conseguir). Esteja disposto(a) a passar por esses poucos dias de desconforto. Foque nos benefícios de parar de fumar. Depois disso, os sintomas de abstinência vão reduzir gradualmente a cada dia. O quinto dia será mais tranquilo que o quarto dia, a segunda semana vai ser mais tranquila que a primeira, e assim por diante.

8. Se for preciso, tente outra vez.

Caso você não consiga de primeira, é hora de reler todas essas dicas e refletir sobre o que pode ser feito de diferente em uma nova tentativa. Marque uma nova data. Você pode buscar ajuda para uma nova tentativa, com um profissional de saúde que tenha experiência no tratamento do tabagismo (geralmente um médico e/ou um psicólogo).

Existem algumas estratégias psicoterápicas para ajudar a parar de fumar, que podem dobrar as chances de sucesso. Para saber mais, converse com seu psicólogo.

Existem alguns medicamentos que podem aumentar em até três vezes a chance de parar de fumar: converse com seu médico para saber mais.

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Cigarro Eletrônico Causa Doença Pulmonar Denominada EVALI

Cigarro eletrônico causa doença pulmonar denominada EVALI

Substâncias presentes no vapor produzido pelo produto podem provocar lesões similares às da Covid-19


Imagem de raio X e tomografia computadorizada de paciente com lesões (setas brancas e pretas) provocadas pelo uso de cigarros eletrônicosSociedade de Radiologia da América do Norte
Os primeiros casos de uma lesão pulmonar aguda que acabaria associada ao consumo de cigarros eletrônicos começaram a aparecer nos Estados Unidos em abril de 2019. Foi uma surpresa para os médicos. Jovens na faixa de 20 anos, parte deles sem histórico prévio de problemas pulmonares, chegavam aos hospitais norte-americanos acometidos de falta de ar, tosse e dor no peito, muitas vezes associadas a dor abdominal, náusea, vômito, diarreia, fadiga, febre e perda de peso. Em meio a diferentes sintomas, um ponto em comum: todos eram usuários de vapes. Os sintomas haviam se desenvolvido ao longo das semanas anteriores e, em certos casos, em apenas alguns dias. Parte desses pacientes teve que ser transferida para Unidades de Terapia Intensiva; em agosto daquele ano, houve as primeiras mortes.
Os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) começaram, então, a monitorar as ocorrências dessa nova doença, que foi denominada Evali (E-cigarette or Vaping product use-Associated Lung Injury). Por ora, apenas um grande surto de Evali foi verificado. De acordo com dados do CDC, entre o início de 2019 e 18 de fevereiro de 2020, 2.807 hospitalizações e 68 mortes nos 50 estados norte-americanos e territórios foram atribuídas à doença. Mais da metade dos óbitos ocorreu em pacientes obesos ou com algum problema prévio de saúde. Em fevereiro de 2020 o órgão parou de coletar dados dos estados devido à diminuição da incidência de casos e ao surgimento da pandemia de Covid-19. Os sintomas e lesões pulmonares da Evali são parecidos com os da Covid-19.
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No Reino Unido, outro grande mercado para os cigarros eletrônicos, houve, entre maio de 2016 e janeiro de 2021, três óbitos e 231 registros de reações adversas associadas ao uso desses dispositivos. As informações são de reportagem publicada no jornal britânico The Observer em agosto deste ano.
No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) contabiliza sete casos de Evali. Para os médicos, esse número certamente não reflete a realidade, visto que a doença não é de notificação compulsória no país. Uma solicitação da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT) para que a Evali fosse de notificação obrigatória não foi atendida pela agência. “A Anvisa basicamente respondeu que a notificação não é compulsória tendo em vista que a Evali é doença que acomete usuários de um produto cuja comercialização é proibida”, relata o coordenador da Comissão Científica de Tabagismo da SBPT, o pneumologista Paulo Corrêa.
Não há um teste ou exame específico para detectar a Evali. O diagnóstico é feito por exclusão de outras doenças pulmonares e pela análise do histórico de uso de cigarros eletrônicos do paciente. Um caso suspeito da doença foi atendido pelo pneumologista Felipe Marques, do Hospital Beneficência Portuguesa de São Paulo. A ocorrência foi descrita em artigo publicado no Jornal Brasileiro de Pneumologia na edição de maio/junho de 2021.
Segundo Marques, a paciente era uma mulher de 48 anos com tosse persistente e fadiga. Ela tinha sido tratada com antibióticos, mas não melhorava. Foram feitos testes sorológicos e de RT-PCR para averiguar se a paciente tinha se infectado com o vírus Sars-CoV-2. Os resultados foram negativos. No entanto, quando foi submetida a uma tomografia computadorizada do tórax, a mulher tinha um quadro característico de pneumonia viral provocado pela Covid-19. “Ela apresentava aquele padrão de opacidade que chamamos de vidro fosco”, relata Marques.
Segundo o pneumologista, a paciente era ex-fumante há 21 anos, mas estava fazendo uso de cigarros eletrônicos durante todo o primeiro semestre de 2020. “Tratamos o quadro com anti-inflamatório e pedimos que ela não usasse mais os cigarros eletrônicos; ela começou a melhorar nos primeiros dias”, conta. Um mês depois, a tomografia mostrava uma recuperação quase completa das lesões.
As causas de quadros agudos relacionados ao consumo de vapes, como esse tratado no Brasil, ainda estão sendo estudadas. Mas um artigo científico publicado no periódico The New England Journal of Medicine em fevereiro de 2020 trouxe uma pista importante: a presença de acetato de vitamina E nos fluidos pulmonares de 48 pacientes em uma amostra total de 51 indivíduos diagnosticados com Evali. Em um grupo de controle, composto de 99 pessoas saudáveis, incluindo 18 fumantes de cigarros eletrônicos, a substância não foi encontrada. O trabalho foi coordenado por pesquisadores do CDC.
O acetato de vitamina E é uma substância viscosa utilizada como aditivo de cigarros eletrônicos, em especial os que contêm o canabinoide THC, derivado de plantas do gênero Cannabis. Sua presença também pode ser encontrada em suplementos vitamínicos e em produtos dermatológicos.
“A hipótese de que o acetato de vitamina E causa a doença ainda precisa ser validada”, comenta Marques. “Há muitos outros componentes dos cigarros eletrônicos que podem ser perniciosos quando inalados.”
Outra substância nociva identificada em líquidos de cigarros eletrônicos é o aromatizante diacetil. Ele também está relacionado a uma doença pulmonar aguda: a bronquiolite obliterante. Também conhecida como “pulmão de pipoca”, a bronquiolite obliterante foi documentada em trabalhadores de uma empresa que fabricava pipoca de micro-ondas. Um estudo publicado em 2019 no Canadian Medical Association Journal identificou essa doença em um jovem de 17 anos, fumante de vape. Antes, em 2015, um trabalho que saiu publicado na revista norte-americana Chest Infections já havia diagnosticado a bronquiolite obliterante em usuário de cigarros eletrônicos de 60 anos de idade.
Artigo científico
MEDEIROS, A. K. et al. Diagnóstico diferencial entre lesão pulmonar associada ao uso de cigarro eletrônico e pneumonia por Covid-19. Jornal Brasileiro de Pneumologia. v. 47, n. 3.  2021.
BLOUNT, B. C. et al.  Vitamin E acetate in bronchoalveolar-lavage fluid associated with Evali. New England Journal of Medicine. 20 fev. 2020.
LANDMAN, S. T. et al. Life-threatening bronchiolitis related to electronic cigarette use in a Canadian youth. Canadian Medical Association Journal. 20 nov. 2019.
ATKINS, G. et al. Acute inhalational lung injury related to the use of electronic nicotine delivery system (Ends). Chest Infections. v. 148, n. 4. 1° out. 2015.

Este texto foi originalmente publicado por Pesquisa FAPESP de acordo com a licença Creative Commons CC-BY-NC-ND. Leia o original aqui.

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