Artigo da Folha de São Paulo sobre a legalização da maconha

Mais importante do que se posicionar radicalmente contra ou a favor da legalização da maconha, é procurar entender as entrelinhas e conhecer os riscos e benefícios potenciais de uma possível legalização dessa droga. Segue, abaixo, um ponto de vista bastante enriquecedor para essa discussão, publicado pela Folha de São Paulo e assinado pelo Dr Frederico Garcia, professor-coordenador do Centro de Referência em drogas da UFMG.

Artigo da Folha de São Paulo, publicado em 07 de maio de 2014. Disponível em https://ci3.googleusercontent.com/proxy/f64FW5ap1QhVDa7END1L6Ym3hQXiO6gi9m3ZxfIAcA03P_uz3j12jNqwCaXDVkKIR1SWqEVfWYvn7fbhYCg5NaACSdVXJo4=s0-d-e1-ft#http://www.vfazitto.com.br/amp/boletim_amp_13.jpg

MACONHA & ESQUIZOFRENIA

O CONSUMO DE MACONHA ESTÁ RELACIONADO A FORMAS MAIS GRAVES DE ESQUIZOFRENIA

Um grande estudo de coorte longitudinal apresntado recentemente, no 21st European Congress of Psychiatry (21 º Congresso Europeu de Psiquiatria, 2013) mostra que o uso da maconha (Cannabis) não só aumenta o risco de esquizofrenia, mas sugere que está associado à maior gravidade da psicose esquizofrênica.

Um grande estudo de coorte longitudinal apresntado no 21st European Congress of Psychiatry (21 º Congresso Europeu de Psiquiatria, 2013) mostra que o uso da maconha (Cannabis) não só aumenta o risco de esquizofrenia, mas sugere que está associado à maior gravidade da psicose esquizofrênica.

Nesse estudo de coorte longitudinal, pacientes com esquizofrenia e com histórico de uso de maconha tinham maior tempo de internação, maior taxa de readmissão hospitalar, e um tipo de esquizofrenia “que pode ser mais grave do que os casos de esquizofrenia em geral”, de acordo com o investigador do estudo Peter Allebeck, MD, PhD, professor de medicina social no Departamento de Ciências de Saúde Pública do Instituto Karolinska, em Estocolmo, na Suécia.

Os pesquisadores realizaram um estudo longitudinal de 50.087 homens suecos com idades entre recrutas do Exército 18 a 19 anos, entre 1969 e 1970. Durante o seguimento, um total de 350 homens desenvolveu esquizofrenia.

A história de internação psiquiátrica foi maior nos pacientes que utilizavam maconha que os que não utilizavam e a duração média da primeira admissão hospitalar foi quase o dobro do tempo para os usuários como para os não usuários (59 dias x 30 dias). Um terço dos usuários (34%) necessitou de mais de 90 dias de internação, enquanto apenas 20% dos não usuários foram hospitalizados por tempo prolongado na primeira admissão.

Da mesma forma, os usuários de maconha apresentaram cerca de 3 vezes mais reinternações para esquizofrenia que os não-usuários. Quase um terço dos usuários de maconha tinham mais de 20 readmissões, enquanto apenas 1/10 dos não-usuários tinha internações tão frequentes.

O estudo conclui que a esquizofrenia causada (ou agravada) pelo uso de maconha pode ser mais grave do que a esquizofrenia em geral, com maior gravidade e pior prognóstico.

Fontes:

Keller DM. Cannabis Use Linked to More Severe Schizophrenia. Medscape. Apr 10, 2013

EPA 2013: 21st European Congress of Psychiatry Conference. Abstract 1697. Presented April 7, 2013.

Veja também:

Da maconha à esquizofrenia: http://www.pirainfo.com.br/portal/noticias-sobre-medicina/132-saude/noticias-medicas/5125-da-maconha-%C3%A0-esquizofrenia.html

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Foto por Kindel Media em Pexels.com

Fumar maconha aumenta o risco de acidentes

Estudo canadense associou o uso de maconha a um aumento de risco para acidentes automobilísticos, especialmente acidentes fatais.

Segundo a pesquisa, publicado em fevereiro desse ano, na British Medical Journal (uma das mais conceituadas revistas na área médica), dirigir sob efeito de maconha está associado com, aproximadamente, o dobro do risco de se envolver em acidentes automobilísticos, em comparação com indivíduos sóbrios.
Essa informação poderá ser usada em futuras campanhas de prevenção a acidentes e de conscientização dos perigos que envolvem a associação de drogas e direção.

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