HIGIENE DO SONO PARA CRIANÇAS

(Adaptado de Xavier CC, Lelis SSR, Barbosa AVS. Distúrbios do Sono)

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A higiene do sono é importante para organizar os horários e os rituais de sono, diminuindo a incidência de insônia e de outras alterações que podem ocorrer durante o sono, como conversar dormindo (sonilóquio) ou sonambulismo, por exemplo.
Esse processo consiste em “dicas” para ensinar toda criança, desde recém nascido, a dormir sozinha sem necessitar dos pais ou de estímulos exteriores para adormecer. É importante estabelecer rotinas diárias que devem ser seguidas mesmo nos fins de semana. A criança deve ser sempre colocada em seu berço antes de adormecer evitando à associação do início do sono com rotinas inadequadas como dormir no colo dos pais, dormir mamando, agitação antes do período de sono noturno etc.

Dicas para uma boa noite do sono:
1. Estabeleça horários regulares para dormir e despertar.
2. Estabeleça uma rotina diária antes de dormir.
3. Deixe a criança dormir em sua própria cama/berço. Ela não deve dormir no colo nem na cama dos pais.
4. Evite o uso de dietas como mamadeira durante os despertares noturnos após os seis meses de idade.
5. Evite atividades estimulantes próximo ao horário de dormir, barulho e luminosidade intensa.
6. Estabeleça uma rotina de relaxamento na hora de deitar como um banho morno, música suave, luz leve ou mesmo leitura.
7. Exercício físico pode ajudar as crianças mais velhas, desde que realizado até 3 horas antes do horário do deitar noturno. Exercício físico próximo ao horário de dormir pode dificultar o sono.
8. O quarto deve ser ventilado, escuro, silencioso e de temperatura confortável.
9. Deve-se evitar a presença de estímulos como computador, televisão, vídeo games etc. no quarto da criança.
10. Crianças mais velhas devem evitar o uso de cafeína (café, refrigerantes, chá preto e chocolate) após as 17 horas.

Dificuldade em adormecer
É uma queixa freqüente e sua causa varia de acordo com a idade do paciente. Em lactentes, geralmente é um problema nas rotinas do sono; nas crianças maiores, costuma ser causada por falta de limites; nos adolescentes, as principais causas são problemas no ritmo circadiano criados pela falta de rotina nos horários de dormir e despertar, hábitos ruins como: adormecer em frente à televisão, vários cochilos ao dia e a falta de limites pregressos.

Despertar noturno
Durante a noite, os lactentes podem acordar várias vezes. Apenas 1 ou 2 em cada 10 crianças menores de 1 ano de idade dormem durante toda a noite sem despertar. Isso pode ser considerado normal e, portanto, raramente há indicação para tratamento medicamentoso nesta situação.
Entretanto, algumas causas de despertares noturnos podem necessitar uma abordagem profissional adequada, como o refluxo gastroesofageano no lactente ou o medo da separação e alguns transtornos de ansiedade, medo e pesadelos.
Como lidar com despertares noturnos:
Os pais devem tentar fazer com que o bebê durma sem nenhum auxílio como o peito, mamadeira ou a companhia da mãe. Ele sugere fazer a rotina habitual com o bebê, dar um beijinho, dizer eu te amo/boa noite ou o de costume, mas não permanecer no quarto até que ele durma. O bebê certamente irá chorar! E É então, que os pais devem proceder com uma das técnicas abaixo:
• Técnica do ignorar gradual
Ignorar o choro da criança por 3 a 5 minutos, inicialmente, com o aumento progressivo do tempo a cada dia (exemplo: 5 minutos, 7 minutos, 10 minutos etc.). Após este período um dos pais pode ir até o quarto falar que está tudo bem, mas não deve tirar a criança do berço e evitar ao máximo tocá-la.
• Técnica do ignorar sistemático
No início do choro, entrar no quarto e checar se está tudo bem, sem interagir com a criança, saindo do quarto o mais rápido possível.
• Técnica do ignorar modificado
Ignorar o choro por 15 a 20 minutos; checar se há algum problema, sem interagir com a criança. Sempre aguardar de 15 a 20 minutos para retornar ao quarto se o choro persistir, sucessivamente até um sono adequado.
Alguns pais usam variações deste método colocando uma cadeira ao lado do berço e afastando-a um pouco por dia até finalmente sair do quarto.
Nos pesadelos, a criança deve ser tranqüilizada ao despertar; neste momento, não conversar sobre o pesadelo, com risco de aumentar a ansiedade da criança.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
1. XAVIER, Christovão de Castro; LELIS, Susana Satuf Resende; BARBOSA, André Vinícius Soares (Coaut.).Distúrbios do sono. In: FONSECA, Luiz Fernando Compêndio de neurologia infantil. 2.ed. Rio de Janeiro : MEDSI, 2011. p.341-348.
2. Eisenmann F. O Sono do Bebê: Métodos para ensinar o bebê a dormir sozinho. Site: http://sonodobebe.blogspot.com.br/2009/09/metodos.html (acessado em 05 de março de 2015).

Artigo da Folha de São Paulo sobre a legalização da maconha

Mais importante do que se posicionar radicalmente contra ou a favor da legalização da maconha, é procurar entender as entrelinhas e conhecer os riscos e benefícios potenciais de uma possível legalização dessa droga. Segue, abaixo, um ponto de vista bastante enriquecedor para essa discussão, publicado pela Folha de São Paulo e assinado pelo Dr Frederico Garcia, professor-coordenador do Centro de Referência em drogas da UFMG.

Artigo da Folha de São Paulo, publicado em 07 de maio de 2014. Disponível em https://ci3.googleusercontent.com/proxy/f64FW5ap1QhVDa7END1L6Ym3hQXiO6gi9m3ZxfIAcA03P_uz3j12jNqwCaXDVkKIR1SWqEVfWYvn7fbhYCg5NaACSdVXJo4=s0-d-e1-ft#http://www.vfazitto.com.br/amp/boletim_amp_13.jpg

TRANSTORNO OBSESSIVO COMPULSIVO – Perguntas e Respostas

TRANSTORNO OBSESSIVO COMPULSIVO    (Dr Rodolfo Ladeira)

O QUE É O TRANSTORNO OBSESSIVO COMPULSIVO?
O transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) é um distúrbio psiquiátrico da ansiedade caracterizado pela ocorrência de pensamentos obsessivos ou atos compulsivos recorrentes, suficientemente graves para consumir tempo ou causar sofrimento significativo. Duas ou três, em cada 100 pessoas, apresentam esse quadro, durante a vida. Homens e mulheres têm a mesma chance de apresentar esse transtorno, que começa, geralmente, na adolescência ou início da idade adulta, embora alguns casos possam ocorrer cedo na infância.

O QUE SÃO OBSESSÕES?
Os pensamentos obsessivos (ou obsessões) são pensamentos, sentimentos, ideias, sensações ou imagens que entram repetidamente na mente do indivíduo. Os pensamentos são, por vezes, absurdos, porém o indivíduo tem dificuldade em interrompê-los e se sente bastante angustiado. Ele pode sofrer, por exemplo, com medo de que possa ser incapaz de resistir a um pensamento ou impulso de fazer mal a si ou a alguém que ama. Pode sofrer por pensamentos obscenos, estranhos ou blasfêmias. São comuns as temáticas de agressão, contaminação, sexual, armazenagem e poupança, simetria, exatidão, alinhamento, preocupações com doenças ou com aspectos do corpo. Às vezes, as ideias são meramente fúteis, envolvendo um questionamento infindável de alternativas imponderáveis (ou uma ruminação do pensamento) que está frequentemente associado a uma dificuldade em tomar decisões na vida diária.

O QUE SÃO COMPULSÕES?
Os atos compulsivos recorrentes (ou compulsões) são comportamentos conscientes e repetitivos, popularmente denominados de “manias” que a pessoa não consegue evitar como contar, limpar, lavar, verificar, controlar, repetir, organizar, acumular ou colecionar. Podem ser, por vezes, confundidos com “superstições”. Os atos compulsivos podem ocupar várias horas todos os dias e às vezes estão associados à indecisão e à lentidão marcantes.
Muitas vezes, o indivíduo tenta utilizar a compulsão para se ver livre do pensamento obsessivo, nem sempre consegue ter sucesso nisso. Ele reconhece as obsessões e as compulsões como comportamentos indesejáveis, e tenta, sem sucesso, resistir-lhes.

QUAL A CAUSA DO TRANSTORNO OBSESSIVO COMPULSIVO?
Acredita-se que fatores biológicos e psicológicos sejam importantes para o estabelecimento desse transtorno. Os fatores genéticos são os mais bem estabelecidos, observando-se uma maior prevalência do TOC em pessoas que tenham pais ou irmãos com esse transtorno. Outro fator biológico que merece destaque é a hipótese da desregulação dos neurotransmissores, como a serotonina possa estar implicada na causa do TOC.
Na teoria psicanalítica clássica, a neurose obsessivo-compulsiva (como era denominado o TOC) era considerada uma regressão da fase edípica para a fase psicossexual anal do desenvolvimento, diante de um sentimento de ameaça. Vale a pena citar duas características dessa fase que são experimentadas intensamente pelos pacientes com TOC: a ambivalência (o paciente experimenta tanto amor quanto ódio contra um objeto) e o pensamento mágico (a pessoa acredita que um simples ato de pensar em um acontecimento no mundo externo pode levar à sua realização, e tal sentimento o leva ao medo de ter um pensamento agressivo).

COMO A PESSOA PODE SABER SE TEM O TRANSTORNO OBSESSIVO COMPULSIVO?
O diagnóstico do TOC é feito através de entrevista clínica com um médico psiquiatra.
No exame, será investigada a presença de sintomas obsessivos, atos compulsivos ou ambos, durante mais de duas semanas, causando forte ansiedade ou interferência nas atividades.
Além do TOC, o indivíduo com sintomas obsessivos pode apresentar outros transtornos mentais, como o transtorno depressivo. Assim, a avaliação profissional é importante para investigar a presença de outros transtornos e para o tratamento adequado.

COMO É O TRATAMENTO DO TRANSTORNO OBSESSIVO COMPULSIVO?
O tratamento do TOC pode ser feito por meio do uso de medicações antidepressivas, prescritas por um médico psiquiatra. Geralmente, são indicados os inibidores da receptação da serotonina, que podem ser associadas a medicações ansiolíticas ou antipsicóticas. A psicoterapia (preferencialmente de orientação comportamental) também é importante no tratamento deste quadro. É importante receber as orientações adequadas: procure um médico (preferencialmente um psiquiatra) ou um psicólogo com experiência na abordagem do transtorno obsessivo compulsivo.

Fontes:
Sadock, BJ, Sadock VA. Compêndio de psiquiatria: ciências do comportamento e psiquiatria clínica. 9.ed. Porto Alegre: Artmed, 2007. 1584p.
Organização Mundial da Saúde. Classificação de Transtornos Mentais e de Comportamento da CID-10: Descrições Clínicas e Diretrizes Diagnósticas. Porto Alegre: Artmed, 1993.

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