Publicado por Rodolfo B. Ladeira - Psiquiatra BH
Rodolfo Braga Ladeira é médico pela Universidade Federal de Minas Gerais (2004). Fez residência em psiquiatria no Instituto Raul Soares (FHEMIG). Obteve o título de especialista em Psicogeriatria pela Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP). É especialista em Dependência Química pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) e mestre em Psiquiatria pela Universidade de São Paulo (USP). Foi preceptor voluntário dos programas de Residência Médica em Psiquiatria do Instituto Raul Soares (FHEMIG) e de Psicogeriatria do HC-UFMG.
Atualmente, supervisiona residentes de psiquiatria (R2) e de psicogeriatria (R4) no ambulatório didático de psicogeriatria do LIM-27, no Instituto de Psiquiatria Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP e cursa o Doutorado pelo programa de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da USP. Tem experiência na área de Medicina, com ênfase em Psiquiatria e Psicogeriatria, atuando principalmente nos seguintes temas: Transtornos psiquiátricos no Idoso, transtornos neurocognitivos (p.ex., doença de Alzheimer), transtorno bipolar, transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) e dependência química. Atende consultório em Belo Horizonte – MG, na região Hospitalar.
Ver todos os posts de Rodolfo B. Ladeira - Psiquiatra BH
Ola professor.
Li seu curioso texto e tirei algumas conclusões sobre o assunto.
Gostaria de saber qual sua p ostura perante ao consumo de drogas deveriamos tomar,pois se liberarmos o consumo, talvez tenhamos um surto psicotico em nossa populacão,mas se mantivermos a dura postura contra as drogas,continuariamos batendo na mesma tecla e ‘colaborando'(eu prefiro a palavra “COAGINDO”) com o trafico de drogas(pois o consumo dificilmente pararia com a repressao) e o mesmo causaria a morte de milhares de adolescentes e jovens por todo o pais.
Diante desta situacao,ainda acredita que a proibicao das drogas é MELHOR que o CONTROLE REGULARIZADO?
Olá, Pedro Henrique!
Obrigado por enviar sua pergunta.
Infelizmente, a resposta não é tão simplista (ou dicotômica) assim. É importante procurar se conscientizar de todos os prós e os contras.
Em termos de saúde, sairíamos de uma dependência “endêmica” da maconha, para a qual um potencial dependência de cerca de 10% (variável, de acordo com estudos) é diluído entre um número de usuários menos expressivo que o álcool ou o tabaco, para uma situação potencialmente “epidêmica”, dado que a liberação do consumo resultaria em um contato maior com a substância e, consequentemente, um número maior de “usuários eventuais” e de “dependentes”. É importante ressaltar que o sistema de saúde atual, que já é insuficiente (em termos de recursos humanos, financeiros, acesso e disponibilidade de serviços) para o tratamento dos dependentes químicos, tornar-se-ia ainda mais sobrecarregado.
Quanto à segurança pública, prefiro que você debata com os principais responsáveis, os quais poderão afirmar com mais clareza se seu raciocínio acerca do impacto da liberação sobre a mortalidade desses adolescentes está correto ou não. Se conseguir uma resposta, por favor, me dê seu feedback.
Em resumo, do ponto de vista da saúde pública, sem dúvida, a proibição das drogas é melhor.
Meu cordial abraço.